A limine, a radice 

Solitude num mar qualquer 
Com avesso ao escuro
A jogar no ar sem cor
Ao fundo se finda.

O relógio da alma
Sem o fumo, sem o vício 
Sem o hábito do dia
Sem o brilho da nova da semana.

Ávido em partir 
Rumo ao solo não planetário 
Transcendendo sem quebras
Está em jogo o desconhecido.

Uma racha a zumbir
A meio do baixo
Com o olhar no alto
Os olhos em linha num instante.

A descoberta fugaz 
Já se despede 
Fechou um olho
Iluminou o ninho e partiu.

Já o ovo estalava 
Quando a porta se abrira 
E já prestes a entrar
Esta se fechara. 

Com o segundo olho 
No prado sem fim 
Este tornado aterrador 
Já o era por mais certo. 

O tornado amansou 
Floriu em cristal 
Sossegadamente, sem frio
O que sempre estivera. 

Rafaela Aleixo 

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