É tenebroso, hoje, olhar para fora
Somente os pássaros não aterrorizam
Voam e nem a caçadeira os alcança
Voam sem norte, rumo ao ninho
Ao país onde esfria menos.

Resta, hoje, apenas uma janela
Não tão pequena como transparece.
Assusta o horizonte
E pela primeira vez surge
Um deflagrar absoluto da Agorafobia.

Instantes terrenos surreais
Cheios de cheiros, sons
Formas à mistura, aglomeradas,
Intensas, deformadas
Culminaram em perfeita sintonia.

Impossível é ver a possibilidade
De tal caso, noutra esfera
A menos que seja um prisma
E afinal se possa refletir
Em ínfimos espelhos.

Todo aquele que nunca entrou
Tem medo, desendurecer-se-ia
Na pureza do rio
E deixaria de poder sobreviver
Para passar a viver.

Não disto sabendo
Agarra-se à sobrevivência
Acreditando não ser primitivo
Um ser evoluído
Mas primitivo é sobreviver.

Que a maior das racionalidades
seja aprender a viver
Alcançar uma pequena folha
Como quem alcança
Uma pequena dor.

Rafaela Aleixo

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