Marco Pestana

Sem grande reflexão em torno da ideia de atelier ou qualquer poesia maior em torno desta proposta, apresento-vos o lugar que encontrei após os anos enriquecedores e calorosos da minha licenciatura. Encontrei um lugar (Associação Goela) que me recebeu prontamente e afectuosamente, e que de uma forma inesperada deu continuação a um género de vivência parecida ao que vivi nos espaços de trabalho da faculdade, um lugar/associação que contém e é constituída por vários artistas, pelas vidas e trabalhos dos mesmos, e pelo maior e menor participação de cada um, que em si, é inconstante. Resumidamente foi este o lugar no qual encontrei espaço e tempo para nada fazer e para fazer tudo.

 

 

 

 

 

O primeiro lugar, é o da vivência, da observação. De tempos a tempos acontece demorar-me nestes lugares e nesta condição. Nos últimos 3 anos vivi muito fora do meu atelier, o acto de criar foi trocado pelo acto de observar.

 

 

 

Este foi o meu primeiro espaço quando entrei para a associação. Era cómodo e completamente diferente do tamanho dos espaços de trabalho ao qual estava habituado. Logo quando entrei fui descobrindo tudo o que componha o atelier, espaço de oficina, estúdio de música, cozinha, um futuro estúdio de fotografia e uma rua pacata.

 

 

Após algum tempo comecei a habituar-me a percorrer os espaços e a utilizar o que tínhamos, como qualquer pessoa (penso eu) há sempre um momento que é o de sair do nosso espaço e começar a utilizar o espaço comum. Aqui apresento uma das mesas do espaço de oficina. Duas bancadas, espaço de armazenamento de madeiras e muitas máquinas e ferramentas ao meu dispor.

 

 

 

 

No segundo ano após a saída de um dos nossos artistas, pedi para mudar para o seu espaço, à porta do atelier, tinha muito mais luz natural e uma parede gigante.

 

Uma das coisas que mais gostei foi o convívio, e a possibilidade de ter um espaço multidisciplinar e multifacetado. Nesta fotografia é imaginável a possibilidade de uma “casa” cheia, um momento do dia em que estão vários artistas no atelier (que é para mim um motivo de alegria) e amigos meus de visita. Quando menciono multidisciplinar e multifacetado é porque para além o meu espaço de atelier ser para o estar e o criar, é também colateralmente um espaço oficinal, onde arranjo a minha bicicleta e ajudo e sou ajudado nestas áreas.

 

 

 

A mesa que aparece quando a cerâmica aparece. Entre cerâmica, pintura, fotografia, marcenaria, vivo numa inconstância de quem que conhecer um pouco de cada coisa, de muita coisa. Hoje após muito estagno, ou movimentos tangentes à criação encontro-me com vários projectos, entre a cerâmica e a fotografia. E com energia para voltar a criar no meu lugar de criação.

 

 

 

 

Eu, o temporizador e a minha parede “gigante”. Aconteceu durante o meu percurso e após estudar escultura o aparecimento de um interesse na fotografia e na pintura, aqui três telas, três dos meus últimos trabalhos.

 

Nota biográfica
Marco Pestana

Nasceu em 1993, no Funchal. Licenciou-se em Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, 2018. Actualmente frequenta o mestrado em Arte e Multimédia pela FBAUL. Trabalha desde 2019 com a Associação Luzlinar, onde coordena acções de reflorestação e atividades culturais no Feital, Trancoso. Participou em Residências de Investigação e criação artística promovidas no âmbito do Projecto Pontes pela Associação Luzlinar, no Fundão, Castelo Branco e Feital, 2018-2020. Das exposições colectivas nas quais participou destacam-se:”Traça” no espaço Útero, Lisboa. Portugal, 2019 -” Dois lugares, um” no Espaço Pontes, Fundão. Portugal, 2019 – “Singular Pace” na ZetGallery, Braga. Portugal, 2018 – “Marco + André” na Galeria da AE FBAUL, Lisboa. Portugal, 2018.

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