Teste de Ludwig
Teste de Ludwig – Ver, Verde, Tempo.
261.
“Eu vejo (ouço, sinto, etc.) X” “Eu observo X” X não representa o mesmo conceito na
primeira e na segunda vez, ainda que a mesma expressão, por exemplo, “uma dor”, figure
em ambos os casos. Pois, à primeira proposição podia seguir-se a questão “que tipo de cor”
e a que poderíamos responder picando o inquiridor com uma agulha. Mas se a questão “que
tipo de dor?” seguisse a segunda proposição, a resposta teria de ser de outro gênero, por
exemplo, “a dor na minha mão”. L.W.
Sinopse:
Em Anotações Sobre as Cores, de Ludwig Wittgenstein, encontramos uma compilação de textos divididos em três partes. A primeira escrita em Cambridge em Março de 1951. A segunda parte não é claro se tem uma data anterior ou posterior à terceira, e esta última reproduz a quase totalidade de um manuscrito escrito em Oxford na Primavera de 1950. É editado após a sua morte.
Wittgenstein utiliza jogos de linguagem para discorrer sobre as cores e a perceção que delas temos. No cerne da sua reflexão surge-nos a tese central do seu pensamento: a análise descritiva da linguagem que transformou a filosofia analítica num instrumento cada vez mais dúctil e aberto para melhor compreender e elucidar os problemas humanos.
A minha proposta passa pela criação de diversos desenhos, aos quais chamei estudos (de 1 a 6), partindo da interpretação de duas frases de cada capítulo, tornando cada reflexão de Wittgenstein, a minha diretriz enquanto proposta para a intervenção e criação de imagens.
Apropriando a complexidade das proposições relacionadas às cores, tornando possível o pensamento e subjetividade de reprodução em meio digital das cores. Utilizar os seus aspectos para ilustrar o poder das proposições, os seus limites e jogos de linguagem que as envolvem.
A cada capítulo introduzi um título, abstrato no seu entendimento enquanto à sua relação com cada uma das duas imagens que apresento, divididos na seguinte forma:
I. Ver (estudos 1 e 2)
II. Verde (estudos 3 e 4)
III. Tempo (estudos 5 e 6)
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Nota Biográfica
Carlos Alexandre (1979, Caldas da Rainha)
Vive e trabalha entre Caldas da Rainha e Lisboa. Mestre em Artes Plásticas, na ESAD.CR, Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Licenciado em Artes Visuais pela Universidade de Évora.
Trabalha essencialmente numa prática artística em que variadas metodologias operativas atuam sobre diversos tipos de media, como a pintura, o desenho, a fotografia e objetos tridimensionais – convergindo em temáticas e campos disciplinares diversos, como a geografia, arquitetura, urbanismo, arqueologia, antropologia ou sociologia, não com a intenção de os tratar enquanto tais matérias, mas convocando os seus assuntos para o seu projeto de artes plásticas. Concentra-se em imagens e objectos encontrados, num processo da apropriação artística de técnicas de inventário e catalogação, num gesto simultaneamente arquivístico e estético. Estas imagens servem como catalisador ou matriz para a criação de novas imagens ou objetos.