Maria von Hafe

Para mim tem sido essencial desde o primeiro momento sentir-me rodeada e aconchegada. A escola é um lugar maravilhoso de encontro, e foi essa energia que eu quis transportar para a minha vida. Nada é solitário, nada é absolutamente só ou único. Tudo é fruto de relações, amizades, paixões e magnetismos. Apesar de ter uma prática artística individual, penso que tenho conseguido criar e manter belas amizades (principalmente com outros artistas – que privilégio!) que brilham em pano de fundo. E nesse sentido, o estúdio é, para mim, o lugar maravilhoso em que as individualidades se cruzam, influenciam, imaginam e constroem o mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O meu primeiro estúdio, depois de acabar o curso, foi no Ócio. Tinha começado a namorar com o Nelson quando eles ainda estavam na rua de S. Vítor, no Porto, e decidi entrar com eles quando fizeram a mudança para a rua de Passos Manuel. Ainda faço parte desta família, ainda que, agora, esteja mais distante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tinha várias salas, organizadas como se de uma casa se tratasse: os espaços de cada um, a sala de música, a oficina de gravura, a biblio- teca. Este estúdio era enorme e tinha imensa luz. Foi aqui que comecei a desenvolver os meus primeiros trabalhos em papel (depois de um período muito negativo na faculdade).

 

 

 

 

 

 

 

 

As coisas iam ficando espalhadas pelo espaço, sem grande seriedade, sem grande compromisso, e acabando por sofrer alguns maus tratos. No entanto, esse espírito e leveza facilitavam colaborações e parcerias dentro do grupo. Tudo era de todos. Inclusivé, em certa medida, os próprios trabalhos. O carinho e apoio da malta do Ócio foi e continua a ser muito im- portante para desenvolver autonomia na minha prática artística.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em 2019 mudámo-nos para a rua Duque da Terceira. O nosso primeiro estúdio com espaço de galeria. O Ócio está aqui desde então, e tem sido muito bonito poder fortalecer as relações com todas as pessoas com projetos artísticos no Bonfim, e também com o Jerónimo, a Adelaide, o sr Fernando e o Ângelo, do Asa de Mosca – o (melhor) café em frente ao estúdio.

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi aqui que fiz o meu primeiro trabalho em madeira (Máscara I). Foi um lugar muito impor- tante para eu começar a desenvolver projetos mais sólidos, que foram semeados ainda em Passos Manuel. Todas as etapas, todos os lugares, todas as pessoas têm sido importantíssimas e inevitáveis. Foi também neste período que decidi inscrever-me no mestrado nas Caldas da Rainha – e sair do estúdio.

 

 

 

 

 

 

 

O meu espaço na ESAD. Aqui continuei uma prática que iniciei durante o primeiro confinamento, em casa: colocar imagens na parede. Imagens essas que me atraíam e interessavam e que, de alguma forma (ainda inconsciente), estabeleciam relações entre si. Foi uma parte importantíssima deste primeiro semestre nas Caldas, uma forma de pensar visual. Este atlas está agora disponível online em projeto-diario.tumblr.com

 

Nota biográfica
Maria Miguel von Hafe (1995)

Licenciou-se em Artes Plásticas – Multimédia na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. É co-fundadora e editora da revista Dose e programadora e artista satélite no Ócio. Apresentou a sua primeira exposição individual ‘Nasço do lugar onde me escondo’ no espaço Ócio, em Março de 2020. Integra exposições colectivas desde 2015, entre as quais se destacam: Apofenia – Reação em Cadeia, na Galeria Fidelidade Arte/Culturgest (2020); Espaço Interrompido, na Galeria do Sol (2020); O Caminho que Corre pelo Silêncio, no Espaço Mira (2019); e No Dia Seguinte Está o Agora, no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (2018). Nesse ano esteve também nomeada para o prémio Arte Jovem do Carpe Diem Arte e Pesquisa. Encontra-se neste momento a realizar o mestrado em Artes Plásticas na ESAD Caldas da Rainha.

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